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O que a neuromodulação não invasiva realmente faz no cérebro?

  • Foto do escritor: Dra Rachel Guimaraes
    Dra Rachel Guimaraes
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Dra. Rachel Guimarães realizando EMT em um paciente.
Dra. Rachel Guimarães

A neuromodulação não invasiva tem ganhado cada vez mais espaço na reabilitação neurológica, especialmente em condições como a Doença de Parkinson. Mas ainda existe muita dúvida, e até desconfiança sobre o que ela realmente faz no cérebro.


O cérebro no Parkinson: o ponto de partida

No Parkinson, não há apenas um problema muscular ou de movimento isolado.O que ocorre é uma alteração nos circuitos cerebrais responsáveis pelo planejamento, iniciação e controle do movimento.

Isso pode se manifestar como:

  • Lentidão para iniciar a marcha

  • Dificuldade em manter o ritmo ao andar

  • Instabilidade postural

  • Episódios de congelamento da marcha

  • Maior risco de quedas

Ou seja: o cérebro tem dificuldade em organizar e ajustar o movimento em tempo real.

É nesse contexto que a neuromodulação pode atuar.


O que é neuromodulação não invasiva?

Neuromodulação não invasiva é o uso de estímulos elétricos ou magnéticos aplicados externamente ao crânio para modular a atividade de áreas específicas do cérebro.


As técnicas mais utilizadas na reabilitação neurológica são:

  • ETCC (Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua)

  • EMT (Estimulação Magnética Transcraniana)

Ambas são não invasivas, indolores e realizadas com o paciente acordado.


O que a neuromodulação realmente faz no cérebro?

A neuromodulação não cria novos neurônios e não substitui o treino motor.O que ela faz é algo mais sutil — e extremamente importante:


Ela ajusta a excitabilidade das redes neurais

Em termos simples, a neuromodulação:

  • Facilita a ativação de áreas cerebrais hipoativas

  • Ajuda a reorganizar redes envolvidas no controle motor

  • Torna o cérebro mais responsivo ao treinamento

É como se ela “preparasse o terreno” para que o cérebro aprenda melhor.


Neuromodulação não é milagre

Existe um mito comum de que a neuromodulação, sozinha, resolveria os sintomas do Parkinson. Isso não é verdade.

A evidência científica mostra que os melhores resultados acontecem quando a neuromodulação é associada à reabilitação, especialmente:

  • Treino de marcha

  • Treino de equilíbrio

  • Exercícios orientados para tarefas do dia a dia

Sozinha, ela tem efeito limitado. Associada ao treino certo, ela potencializa o aprendizado motor.


EMT e ETCC: qual a diferença na prática?


ETCC

  • Usa corrente elétrica de baixa intensidade

  • Atua modulando a excitabilidade cortical

  • Costuma ser aplicada durante ou antes do treino

  • Muito utilizada para potencializar aprendizagem motora


EMT

  • Usa pulsos magnéticos

  • Atua de forma mais focal e profunda

  • Pode ser usada para modular circuitos motores específicos

  • Exige indicação criteriosa e avaliação individual

Ambas não são concorrentes, mas ferramentas diferentes, com indicações distintas.


Para quem a neuromodulação é indicada?

A neuromodulação não é para todos os pacientes, nem para todas as fases.

Ela costuma ser mais indicada quando:

  • Há dificuldade de resposta ao treino convencional

  • Existem alterações importantes de marcha ou equilíbrio

  • O paciente apresenta congelamento de marcha

  • O objetivo é potencializar ganhos funcionais já trabalhados em terapia

A decisão deve ser sempre individualizada e baseada em avaliação clínica detalhada.


O que realmente muda quando bem indicada?

Quando associada a um programa de fisioterapia neurofuncional bem estruturado, a neuromodulação pode contribuir para:

  • Melhor desempenho da marcha

  • Maior estabilidade postural

  • Melhor resposta ao treino

  • Redução do risco de quedas

  • Ganhos funcionais mais consistentes

O foco não é o estímulo em si, mas o que o paciente é capaz de fazer melhor depois dele.


A neuromodulação não invasiva não substitui o exercício nem a fisioterapia.Ela potencializa o efeito do treino, ajudando o cérebro a reaprender movimentos de forma mais eficiente.

No Parkinson, tratar bem não é apenas fortalecer músculos — é treinar o cérebro da maneira certa, no momento certo e com a estratégia adequada.

É isso que muda o resultado.

 
 
 

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