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Parkinson: por que o tratamento fisioterapêutico precisa ser individualizado

  • Foto do escritor: Dra Rachel Guimaraes
    Dra Rachel Guimaraes
  • 8 de jul.
  • 3 min de leitura

Leitura: 5 minutos


Paciente realizando treino de marcha em esteira.
Paciente realizando treino de marcha em esteira

A doença de Parkinson não se apresenta da mesma forma em todas as pessoas. Mesmo compartilhando o mesmo diagnóstico, dois pacientes podem ter perfis sintomáticos bastante distintos: um pode sofrer principalmente com freezing de marcha, enquanto outro lida com rigidez acentuada, tremor de repouso predominante ou instabilidade postural com risco frequente de quedas. Essa heterogeneidade é um aspecto central da doença e tem implicações diretas sobre como a fisioterapia deve ser conduzida.

Um protocolo genérico, desenhado para o "paciente com Parkinson" de forma abstrata, tende a ser insuficiente justamente porque não responde às demandas específicas de cada perfil. A avaliação fisioterapêutica detalhada não é uma etapa burocrática do tratamento, é o que permite que o protocolo seja funcional e relevante para aquela pessoa, naquele momento da doença.


Freezing de marcha

O freezing, ou congelamento, da marcha é um dos sintomas mais incapacitantes da doença de Parkinson. Caracteriza-se pela incapacidade súbita e transitória de iniciar ou continuar o movimento, com a sensação de que os pés estão grudados no chão, geralmente em situações de início da marcha, passagem por espaços estreitos ou mudança de direção.

Os exercícios para quem tem congelamento envolve o uso de pistas sensoriais externas (auditivas, visuais ou proprioceptivas) que ajudam o sistema nervoso a contornar o bloqueio motor. Estratégias de ritmo, como caminhar ao som de um metrônomo ou seguir marcações no chão, têm evidência consistente na literatura e fazem parte de um protocolo bem fundamentado para esse sintoma. Sem essa especificidade, a reabilitação pode ser pouco eficaz ou até frustrante para o paciente.


Rigidez muscular

A rigidez no Parkinson resulta do aumento do tônus muscular em repouso e afeta a fluidez dos movimentos, a amplitude articular e, com frequência, a postura. Pacientes com rigidez predominante tendem a apresentar uma postura mais encurvada associada a redução do balanço de braços durante a marcha e dificuldade em movimentos que exigem dissociação entre segmentos corporais.

O trabalho da fisioeterapia nesses casos prioriza a mobilidade ativa, grandes amplitude de movimento, exercícios de dissociação de cinturas escapular e pélvica e atividades que estimulem movimentos amplos e fluidos. A progressão precisa ser cuidadosa e ajustada à resposta do paciente, especialmente quando há flutuações motoras associadas ao ciclo de medicação.


Instabilidade postural e quedas

A instabilidade postural é um dos sintomas mais associados a quedas e representa um risco real para a autonomia e a segurança do paciente. Diferente do que se pode imaginar, o treino de equilíbrio eficaz nesse contexto não se resume a exercícios estáticos, como ficar em apoio unipodal. O sistema de controle postural precisa ser desafiado em condições dinâmicas, com variação de base de suporte, superfícies instáveis e perturbações inesperadas, de forma progressiva e segura.

O treino de equilíbrio reativo, que simula situações em que o paciente precisa responder rapidamente a uma perda de equilíbrio, é particularmente relevante para a prevenção de quedas e exige supervisão e planejamento cuidadoso dentro da sessão terapêutica.

O que funciona para um paciente pode não ser o que outro precisa, mesmo que o diagnóstico seja o mesmo.


O papel da avaliação na definição do protocolo

Uma avaliação fisioterapêutica bem conduzida considera não apenas os sintomas predominantes, mas também a fase da doença, o nível de condicionamento físico, a resposta à medicação, o histórico de quedas, as demandas funcionais do paciente no cotidiano e os objetivos do tratamento a curto e longo prazo. É a partir desse mapeamento que se define um protocolo com real potencial de impacto funcional.

Se você acompanha alguém com Parkinson e tem dúvidas sobre se o tratamento atual está endereçando os sintomas certos da forma certa, essa é uma conversa que vale ter com o fisioterapeuta responsável. E se quiser entender melhor como funciona esse processo de avaliação e planejamento, entre em contato.

 
 
 

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© 2022 - Dra Rachel Guimarães

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