Calor e risco de quedas: por que altas temperaturas aumentam o perigo para idosos e pessoas com doenças neurológicas
- Dra Rachel Guimaraes
- há 4 dias
- 2 min de leitura

Os dias mais quentes exigem atenção redobrada, especialmente para idosos e pessoas com doenças neurológicas. O calor excessivo não causa apenas desconforto: ele pode aumentar de forma significativa o risco de quedas, um dos principais fatores de perda de autonomia, hospitalizações e complicações graves nessa população.
Entender essa relação é fundamental para prevenir acidentes e preservar segurança e qualidade de vida.
Como o calor afeta o corpo
Em temperaturas elevadas, o organismo precisa trabalhar mais para regular a temperatura corporal. Para isso, ocorre vasodilatação, aumento da sudorese e alterações no controle da pressão arterial. Em idosos e em pessoas com doenças neurológicas, esses mecanismos costumam ser menos eficientes.
Entre os principais efeitos do calor estão:
Queda da pressão arterial, principalmente ao levantar (hipotensão ortostática);
Desidratação, mesmo sem sensação intensa de sede;
Fadiga e fraqueza muscular;
Tontura e sensação de instabilidade;
Redução da atenção e do tempo de reação.
Esses fatores aumentam consideravelmente o risco de desequilíbrios e quedas.
Por que o risco é maior em doenças neurológicas?
Pessoas com condições neurológicas, como Doença de Parkinson, AVC, distúrbios do movimento, neuropatias ou doenças neurodegenerativas, já apresentam alterações no controle motor, equilíbrio e marcha, e o calor pode piorar alguns sintomas como: a lentidão dos movimentos, rigidez, instabilidade postural, piora da marcha e do congelamento da marcha, além de dificuldade de concentração e dupla tarefa.
Além disso, muitos pacientes utilizam medicamentos que interferem na pressão arterial, na sudorese ou no estado de alerta, o que potencializa os efeitos do calor.
A desidratação é um fator frequentemente subestimado. Mesmo perdas leves de líquidos podem levar a:
piora do equilíbrio;
confusão mental leve;
redução da força e da resistência;
aumento do risco de quedas, especialmente ao levantar da cama ou da cadeira.
Idosos muitas vezes sentem menos sede, o que torna o risco ainda maior.
Estratégias práticas para reduzir o risco de quedas em dias quentes
Algumas medidas simples fazem grande diferença:
manter hidratação regular ao longo do dia;
evitar exposição ao calor nos horários mais quentes;
usar roupas leves e calçados seguros;
levantar-se de forma lenta, especialmente ao sair da cama;
adaptar a rotina de exercícios para horários mais frescos;
manter ambientes bem ventilados.
No entanto, essas medidas precisam ser associadas a um trabalho contínuo de reabilitação.
O papel da fisioterapia neurofuncional na prevenção de quedas
A fisioterapia neurofuncional é fundamental para reduzir o risco de quedas, especialmente em situações de maior vulnerabilidade, como períodos de calor intenso.
Por meio de avaliação individualizada, o fisioterapeuta identifica:
padrões de marcha;
instabilidade postural;
dificuldades em transferências;
resposta do corpo a situações de fadiga.
O tratamento inclui treino de marcha, equilíbrio, viradas, transferências, estratégias de segurança e adaptação do exercício físico à condição clínica e ao ambiente.
Esse cuidado contínuo ajuda a manter a autonomia mesmo em condições adversas, como altas temperaturas.
Conclusão
O calor não deve ser encarado apenas como desconforto. Para idosos e pessoas com doenças neurológicas, ele representa um fator real de aumento do risco de quedas.
Com informação, ajustes na rotina e acompanhamento especializado em fisioterapia neurofuncional, é possível reduzir esse risco e preservar segurança, mobilidade e qualidade de vida ao longo do ano.





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