Fisioterapia na Doença de Parkinson: o que realmente muda na vida do paciente
- Dra Rachel Guimaraes
- há 10 minutos
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A doença de Parkinson é o segundo distúrbio neurodegenerativo mais comum, atrás apenas do Alzheimer. E por se tratar de uma doença com alta prevalência, é importante discutirmos alguns aspectos essesnciais para o tratamento. Quando o tratamento é multidisciplinar e começa cedo, o prognóstico funcional é outro.
O que acontece no cérebro
O Parkinson está associado à degeneração progressiva dos neurônios que produzem dopamina. Essa substância regula o movimento, e à medida que sua produção cai, aparecem os sintomas motores mais conhecidos como: tremor, rigidez, bradicinesia (lentidão dos movimentos) e instabilidade postural.
Além dos sintomas motores, que são os mais conhecidos, diversos sintomas não motores como comprometimento cognitivo, depressão, ansiedade, distúrbios do sono e disfunção autonômica também fazem parte do quadro, muitas vezes anos antes do diagnóstico fechado.
O papel da fisioterapia
O tratamento fisioterapêutico não serve apenas para "manter o movimento". Ele atua diretamente na capacidade funcional e na qualidade de vida, com respaldo nas diretrizes clínicas da American Physical Therapy Association. Alguns aspectos são essenciais na fisioterapia, como:
Treino aeróbico e de força: o exercício regular tem efeito neuroprotetor documentado. Treino cardiovascular e fortalecimento muscular ajudam a desacelerar a progressão dos sintomas, mas precisam ser individualizados e supervisionados.
Treino de equilíbrio e prevenção de quedas: nas fases iniciais, o trabalho intensivo de equilíbrio produz ganhos consistentes na redução de quedas. Nas fases mais avançadas, o foco muda para estratégias de segurança: uso correto de dispositivos auxiliares, redução de tarefas simultâneas e adaptações no ambiente domiciliar.
Treino de marcha: o Parkinson costuma trazer passos arrastados, redução do balanço de braços e da rotação de tronco, e diminuição da velocidade da caminhada. Trabalhar a marcha chamando atenção para movimentos "grandes" e intencionais, caminhar no ritmo de um metrônomo ou de uma música também tem se mostrado eficaz para melhorar a qualidade do passo.
Treino específico de tarefa: como o Parkinson afeta o automatismo do movimento, estratégias como dupla tarefa, imagética motora, treino de giro e treino funcional de membros superiores facilitam os movimentos do dia a dia. A escolha da técnica depende de como a doença se manifesta em cada paciente.
Por que o cuidado multidisciplinar importa
Nenhum profissional dá conta sozinho da complexidade do Parkinson. Neurologistas, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas precisam estar na mesma página. Essa integração é o que permite abordar sintomas motores e não motores ao mesmo tempo, sem deixar lacunas no cuidado.
Exercício em grupo e mudança de comportamento
O Parkinson é uma doença progressiva e ainda não existe cura, por isso muda é importante termos um planjemento de longo prazo em relação ao tratamento. Quanto antes o paciente inicia a reabillitação, melhor tende a ser o prognóstico funcional. Grupos comunitários de exercício também têm um papel importante, não só na manutenção da rotina de treino, mas no convívio com outras pessoas que vivem a mesma realidade, o que ajuda diretamente nos sintomas de ordem emocional.
O Parkinson impõe desafios complexos, mas a resposta a esses desafios já existe na literatura e na prática clínica. Seguir protocolos baseados em evidência é o que permite otimizar a função, preservar a independência e sustentar qualidade de vida pelo maior tempo possível.



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