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Quando o corpo trava: como a neuromodulação pode ajudar no congelamento da marcha no Parkinson

  • Foto do escritor: Dra Rachel Guimaraes
    Dra Rachel Guimaraes
  • 27 de out. de 2025
  • 3 min de leitura


Paciente durante treino de marcha e tratamento com ETCC com a Dra. Rachel Guimarães
Como a fisioterapia e a neuromodulação não invasiva podem ajudar no congelamento da marcha?

O congelamento da marcha no Parkinson Ć© um dos sintomas mais desafiadores da doenƧa, tanto para quem vive com ela quanto para os profissionais envolvidos na reabilitação. A cena Ć© comum: o corpo quer se mover, mas os pĆ©s parecem ā€œcoladosā€ ao chĆ£o. Por mais que o paciente tente dar o primeiro passo, algo trava.

Esse bloqueio nĆ£o Ć© falta de forƧa muscular — Ć© uma falha momentĆ¢nea na comunicação entre o cĆ©rebro e o corpo. E Ć© justamente nesse ponto que a neuromodulação nĆ£o invasiva pode fazer a diferenƧa.


O que Ć© o congelamento da marcha no Parkinson?

O congelamento da marcha (ou ā€œfreezingā€) Ć© um fenĆ“meno caracterizado pela interrupção sĆŗbita do movimento durante a caminhada. Ele pode durar segundos, mas o impacto na qualidade de vida Ć© profundo.

Os pacientes costumam descrever essa sensação como:

ā€œQuero andar, mas o corpo nĆ£o responde.ā€ā€œParece que meus pĆ©s estĆ£o grudados no chĆ£o.ā€

O congelamento geralmente ocorre em situaƧƵes especƭficas, como:

  • Ao iniciar a marcha (ā€œprimeiro passoā€);

  • Ao fazer curvas ou atravessar portas estreitas;

  • Quando o paciente estĆ” ansioso ou sob pressĆ£o;

  • Em ambientes com obstĆ”culos visuais.

Esse sintoma estĆ” ligado Ć  disfunção nos circuitos motores do cĆ©rebro, especialmente nas regiƵes responsĆ”veis pela coordenação rĆ­tmica e controle automĆ”tico do movimento — Ć”reas afetadas pelo dĆ©ficit dopaminĆ©rgico tĆ­pico da doenƧa de Parkinson.


Por que o corpo ā€œtravaā€?

O cĆ©rebro de uma pessoa com Parkinson tem dificuldade para gerar o comando motor contĆ­nuo que sustenta o andar. Isso ocorre porque hĆ” um desequilĆ­brio na atividade das vias cortico-subcorticais (como o circuito do gĆ¢nglio da base e córtex motor). Quando esse equilĆ­brio Ć© interrompido, o cĆ©rebro literalmente ā€œperde o ritmoā€ — e o corpo para.

Mesmo que o paciente tente compensar de forma voluntĆ”ria, a resposta motora continua bloqueada. Ɖ por isso que o congelamento da marcha nĆ£o Ć© apenas muscular, e sim neurológico.


Como a neuromodulação pode ajudar

A neuromodulação não invasiva, especialmente a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT), tem se mostrado uma ferramenta promissora para restaurar a comunicação entre as Ôreas cerebrais envolvidas no controle da marcha.


Como funciona:

A EMT utiliza campos magnéticos seguros e indolores para estimular regiões específicas do cérebro, geralmente o córtex motor suplementar e o córtex pré-motor. Essas Ôreas são fundamentais para a iniciação e continuidade da marcha.


O estĆ­mulo aplicado promove:

  • Aumento da excitabilidade cortical (melhorando a capacidade do cĆ©rebro de gerar comandos motores);

  • Sincronização dos circuitos neuronais responsĆ”veis pelo movimento;

  • Plasticidade cerebral, permitindo que o cĆ©rebro reorganize conexƵes e recupere funƧƵes perdidas.

Em estudos recentes, pacientes que associaram neuromodulação + fisioterapia neurofuncional apresentaram redução significativa dos episódios de congelamento e melhora na fluência da marcha.


Por que associar à reabilitação neurofuncional?

A reabilitação neurofuncional Ć© essencial para consolidar os ganhos da neuromodulação. Enquanto a EMT ā€œprepara o cĆ©rebroā€, a fisioterapia reforƧa as conexƵes criadas durante o estĆ­mulo atravĆ©s de exercĆ­cios especĆ­ficos.


Durante as sessƵes, o terapeuta utiliza estratƩgias como:

  • Treino de ritmicidade com pistas auditivas ou visuais;

  • ExercĆ­cios de dupla tarefa para melhorar atenção e coordenação;

  • SimulaƧƵes de situaƧƵes reais (portas, curvas, obstĆ”culos) para treinar a resposta motora automĆ”tica.

Essa integração acelera a melhora funcional e ajuda o paciente a recuperar confiança e autonomia ao caminhar.


Resultados que jĆ” podem ser observados

Pacientes que realizam protocolos combinados de neuromodulação e fisioterapia neurofuncional frequentemente relatam:

  • Diminuição da frequĆŖncia e intensidade do congelamento;

  • Passos mais longos e fluidos;

  • Menor necessidade de apoio externo;

  • Aumento da seguranƧa e da independĆŖncia nas atividades diĆ”rias.

Esses resultados são ainda mais expressivos quando o tratamento é iniciado precocemente e conduzido por uma equipe multidisciplinar com experiência em neuroreabilitação e neuromodulação.


Quando procurar avaliação

Se o congelamento da marcha tem se tornado mais frequente, ou se o paciente jÔ sente medo de andar sozinho, é o momento ideal para uma avaliação especializada. O protocolo de neuromodulação deve ser individualizado, levando em conta:

  • O estĆ”gio da doenƧa;

  • O padrĆ£o dos sintomas;

  • O histórico de reabilitação anterior;

  • A resposta a medicamentos dopaminĆ©rgicos.

Cada cĆ©rebro responde de maneira Ćŗnica — e Ć© justamente essa personalização que torna o tratamento mais eficiente.


O congelamento da marcha no Parkinson não precisa ser visto como algo inevitÔvel. Com os avanços da neuromodulação não invasiva e da reabilitação neurofuncional, é possível reativar o cérebro, reduzir bloqueios e recuperar a fluidez do movimento.

A ciĆŖncia jĆ” mostrou que o cĆ©rebro Ć© plĆ”stico — ele pode reaprender, desde que estimulado da forma certa. E Ć© exatamente isso que a Neuromodulação faz.


Quer saber se esse tratamento pode ajudar no seu caso?

Agende uma avaliação especializada em neuromodulação e reabilitação neurofuncional. Cada minuto de estímulo certo é um passo mais próximo da autonomia.

Entre em contato e descubra o protocolo ideal para o seu caso de Parkinson.

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© 2022 - Dra Rachel Guimarães

Avenida José Bonifácio Coutinho Nogueira, 214, sala 412 Vila Madalena. Campinas - SP

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