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Cair não é normal. Em nenhuma idade, em nenhum contexto

Foto do escritor: Dra Rachel Guimaraes
Dra Rachel Guimaraes
28 de ago.
2 min de leitura

Como prevenir quedas?
Como prevenir quedas?

Existe uma ideia perigosa de que queda é parte esperada do envelhecimento, ou do quadro neurológico, ou da rotina de quem usa cadeira de rodas. Não é. Queda é sinal de que algo no sistema não está sendo compensado. E sistemas não compensados podem ser investigados, entendidos e trabalhados.

Isso vale para o paciente idoso frágil, vale para quem tem Parkinson, vale para quem está em fase de reabilitação pós-AVC, vale para quem já tem todos os equipamentos de auxílio recomendados e mesmo assim cai. Se está caindo, existe uma causa. E causa se investiga, não se aceita.


O erro mais comum: tratar a queda como evento isolado

Quando um paciente cai, a resposta automática costuma ser reativa. Reforça-se a supervisão, adiciona-se um equipamento, orienta-se cautela. Isso não resolve porque não responde à pergunta central: por que essa queda aconteceu, especificamente nesse contexto?

Queda não é aleatória. Ela tem local, tem gatilho, tem uma falha específica no sistema motor, sensorial ou cognitivo que a antecedeu. Enquanto essa falha não for identificada, qualquer equipamento novo é remendo, não solução.


Investigar antes de prescrever


Duas perguntas orientam toda a investigação:

Onde a queda acontece? O que estava exigido do paciente naquele exato momento?

A resposta muda completamente a conduta. Uma queda durante transferência aponta para falha de sequenciamento motor ou de força específica naquele padrão de movimento. Uma queda por esquecer de travar a cadeira aponta para falha de atenção ou de automatização de rotina, não para falha motora. Uma queda ao transpor a borda do box aponta para déficit específico de controle postural naquela demanda articular. Cada um desses cenários pede uma conduta diferente, porque a causa é diferente.

Tratar todas as quedas com a mesma resposta genérica é ignorar justamente a informação que ela está dando.

O papel da fisioterapia na prevenção

Prevenção de queda não é evitar que o paciente se mova. É qualificar o movimento até que ele se torne seguro no contexto real de vida daquela pessoa. Isso envolve:


  1. Mapeamento preciso dos episódios. Onde, quando, em que tarefa, sob que condições.

  2. Avaliação do déficit específico por trás de cada padrão de queda. Controle postural, força, sequenciamento motor, atenção dividida, ou combinação desses fatores.

  3. Treino direcionado à tarefa exata em que a falha ocorre. Não existe generalização automática. Treinar equilíbrio em pé não necessariamente transfere para segurança numa transferência específica. O sistema nervoso aprende o que é praticado, no contexto em que é praticado.

  4. Ajustes ambientais como suporte, não como solução isolada. Sinalizações, adaptações de rotina e estratégias externas ajudam, mas funcionam melhor combinadas ao treino motor específico, não no lugar dele.


O sistema nervoso reorganiza função em resposta a demanda específica e repetida. Treinar a tarefa exata, no contexto exato em que a falha aparece, é o que gera consolidação motora real e reduz o risco de queda de forma consistente, não pontual.

Aceitar a queda como inevitável tira do processo terapêutico justamente a pergunta que mais importa. A fisioterapia neurofuncional existe para responder essa pergunta, caso a caso, com investigação e treino direcionado.



 
 
 

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© 2022 - Dra Rachel Guimarães

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