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Tremor é o principal problema no Parkinson? Nem sempre

  • Foto do escritor: Dra Rachel Guimaraes
    Dra Rachel Guimaraes
  • 23 de fev.
  • 3 min de leitura

Mãos de uma pessoa idosa com Parkinson
Mãos de uma pessoa idosa

Quando se fala em Doença de Parkinson, a primeira imagem que vem à mente da maioria das pessoas é o tremor nas mãos. De fato, o tremor é um dos sintomas mais conhecidos e pode estar presente desde as fases iniciais da doença. No entanto, ele nem sempre é o principal problema e, em muitos casos, nem é o sintoma que mais compromete a autonomia.

Reduzir o Parkinson ao tremor é simplificar demais uma condição neurológica complexa.


O que realmente caracteriza o Parkinson?

O Parkinson é um distúrbio neurológico que afeta os circuitos cerebrais responsáveis pelo controle do movimento. As alterações mais marcantes envolvem:

  • Lentidão dos movimentos (bradicinesia)

  • Rigidez muscular

  • Alterações da marcha

  • Instabilidade postural

O tremor pode estar presente, mas não é obrigatório para o diagnóstico. Existem pessoas com Parkinson que quase não apresentam tremor, mas têm grande dificuldade para andar, virar ou manter o equilíbrio.


Quando o tremor não é o maior limitador

Em muitos pacientes, o que realmente impacta o dia a dia não é o tremor, mas:

  • A dificuldade para iniciar a marcha

  • O congelamento dos passos (freezing)

  • A insegurança ao mudar de direção

  • O risco aumentado de quedas

  • A lentidão para realizar tarefas simples

Essas alterações comprometem atividades básicas como levantar da cadeira, atravessar a rua ou caminhar em ambientes movimentados.

Do ponto de vista funcional, a marcha e o equilíbrio costumam ter impacto muito maior na independência do que o tremor isoladamente.


Por que o tremor recebe tanta atenção?

O tremor é visível. Ele chama atenção socialmente e pode gerar constrangimento. Por isso, muitas vezes se torna o foco principal de preocupação, tanto para o paciente quanto para a família.

No entanto, sintomas menos visíveis como a lentidão e a dificuldade de ajuste postural são frequentemente os que mais aumentam o risco de quedas e perda de autonomia.

É importante ampliar o olhar para além do sintoma mais aparente.


O tratamento do Parkinson deve ser direcionado para aquilo que realmente compromete a função.

Se o principal desafio do paciente é a marcha, o foco deve estar no treino específico de marcha. Se o maior risco é a instabilidade postural, o tratamento precisa trabalhar equilíbrio e tempo de reação. Se há congelamento da marcha (Freezing), estratégias direcionadas devem ser aplicadas.

A fisioterapia neurofuncional atua justamente nesse ponto: identificar quais alterações estão limitando a vida diária e intervir de forma direcionada.

Em alguns casos, recursos como a neuromodulação não invasiva podem ser associados ao treinamento para potencializar o aprendizado motor, especialmente quando há dificuldade de resposta ao tratamento convencional.


Nem sempre o sintoma mais visível é o mais importante

O tremor pode incomodar e merece atenção. Mas ele nem sempre é o principal determinante da qualidade de vida do paciente.

Muitas vezes, o que realmente define a autonomia é a capacidade de andar com segurança, manter o equilíbrio e realizar tarefas do cotidiano com independência.

Por isso, a avaliação individualizada é fundamental. Cada paciente apresenta um perfil diferente de sintomas, e o tratamento precisa refletir essa individualidade.


Tremor é um dos sintomas mais conhecidos do Parkinson, mas nem sempre é o que mais limita.

Olhar apenas para ele pode fazer com que outras alterações, como instabilidade postural e alterações da marcha, passem despercebidas, aumentando o risco de quedas e a perda funcional.

O tratamento eficaz é aquele que vai além do sintoma mais visível e atua nas reais necessidades do paciente.


 
 
 

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© 2022 - Dra Rachel Guimarães

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